Fatos alternativos e outros nem tanto assim

FFFFF… ique com os fatos alternativos.

Do ponto de vista das “novidades” apontadas pelas filosofias espiritualistas sérias, o paradigma em que vivemos construiu um mundo constituído de “fatos alternativos”, parafraseando a assessora presidencial do recém-empossado presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, quando defendeu que a Casa Branca apresentou “fatos alternativos” ao tentar demonstrar que a imprensa estava errada quanto ao número apresentado de pessoas presentes na posse do presidente. A presidência, tentando manter-se por cima, alega que muito mais pessoas do que o número demonstrado pela impressa compareceu à posse. Porém, fatos são fatos. A imprensa demonstrou através de imagens. A presidência apenas alegou “fatos alternativos” e voltou à sua zona de conforto. [Pensando bem, isso talvez tenha seu lado positivo.]

Se considerarmos aquilo que estudamos a partir de relatos vindos do além-túmulos e que alguns de nós vivencia frequentemente, chegaremos à conclusão de que a nossa realidade material é constantemente constituída de fatos alternativos. O paradigma vigente rejeita a possibilidade de comunicação com pessoas que já desencarnaram. Essa realidade já representaria um fato alternativo suficientemente representativo, principalmente para quem experimenta constantemente o oposto. Alguns poderiam argumentar, baseado na analogia que fiz acima, que o fato alternativo, nesse caso, seria a afirmação de que a comunicação com pessoas mortas existe. Entretanto, eu responderia que o ônus da prova, nesse caso, está fora dos muros impostos pelo paradigma vigente. A experimentação de um número crescente de pessoas ao redor do mundo que se permite vivenciar essa realidade e, empiricamente, comprova essa possibilidade já cria uma rachadura nos muros do paradigma.

Olha nós aqui de novo

Os fatos alternativos do paradigma impõem muros, individuais e coletivos, à nossa existência e nos fazem vivenciar uma não-realidade que pode diferir muito daquilo que se passa fora das cercanias desses muros. Padrões sociais, morais, medos, religiões, hábitos, estilo de vida e tudo aquilo que vivenciamos, automaticamente, sem qualquer questionamento, representam muros que nos isolam de uma realidade. A clássica analogia ao mito da caverna, de Platão, cabe muito bem aqui. Cada um de nós vive em sua própria caverna escura e individual, rodeada por paredes constituídas de nossas limitações, impostas por nós mesmos ou pelo mundo a nossa volta. Sair dessa caverna de uma vez causa cegueira, promovida pelo excesso de luz do exterior. O estranhamento causado pela nova realidade nos leva à negação da possibilidade da existência de fatos não-alternativos tão diferentes daquilo que acreditamos viver por tanto tempo.

Aqueles partidários do argumento de que a comunicação com Espíritos que um dia viveram (ou não) sobre a face da Terra representa um fato alternativo, deveriam lembrar-se do mito da caverna. Sendo essa uma realidade nova, face ao paradigma estabelecido por nós mesmos durante muito tempo, olhar para o outro lado do muro que nos cerca, causa grande estranhamento. Por esse motivo, a realidade não tem obrigação de se mostrar para nós. Nós é que devemos buscá-la por nós mesmos. Vamos conseguir olhar para o outro lado do muro, apenas quando tivermos reunido degraus suficientes que permitam nos erguermos e observarmos a realidade do outro lado. Do contrário, ser simplesmente jogado para o outro lado, causaria negação instantânea e uma volta imediata à nossa zona de conforto.

EU decido que o gato está descendo.

Como vivemos um paradigma complicado, cheio de nuances, é importante pontuar que é bastante interessante para alguns daqueles que já conhecem um pouco da realidade fora das limitações dos muros, que boa parte de nós continue fechadinho na caverna. Como já discuti bastante anteriormente, isso gera poder a quem possui a informação. Poder de projetar o fato alternativo que quiser na parede da caverna, com o simples objetivo de direcionar uma massa de pessoas para a direção desejada. Meios para fazer isso é o que não falta. TV, mídia, redes sociais, sistema de ensino. Não faltam mecanismos de projeção de fatos alternativos nas paredes nos nossos muros, para esconder a parede de tijolos e dar a ilusão de uma paisagem ampla.

Nem sempre é o que parece ser. Em algum momento isso tem que ficar óbvio.

Vale lembrar que a palavra do ano de 2016, eleita pelo dicionário Oxford, foi pós-verdade; uma alusão a fatos que importam menos do que aquilo que as pessoas escolhem acreditar. Talvez a evidência desse neologismo tenha ocorrido não só porque o ano de 2016 foi emblemático nesse sentido – principalmente durante as eleições presidenciais dos EUA – mas porque alguma luz esteja entrendo através de rachaduras em nossos muros. Essa luz, fraca ainda, nos faz perceber que desde sempre lidamos com pós-verdades, mas só agora estamos dando conta disso.

Qual a possibilidade de que muitos fatos históricos que conhecemos sejam compostos por fatos alternativos? A construção da história tem o potencial de fortalecer ou enfraquecer determinadas ideias que rondam o presente. Mas e se pudéssemos revisitar acontecimentos históricos fora do nosso tempo através do contato direto com testemunhas oculares? Considerando a nossa realidade, essas testemunhas não morrem; elas permanecem por aí, vivendo e revivendo. É possível que o paradigma entrasse em colapso em pouco tempo. Política, religião e sociedade sofreriam abalos sem precedentes.

Essa semana eu encontrei um canal no YouTube (somente em inglês, infelizmente) que me colocou a pensar sobre tudo isso. É um canal que apresenta o programa Shiny Show, de uma médium que vive na Austrália e que medeia entrevistas com Espíritos de pessoas famosas que já desencarnaram, respondendo perguntas, via Skype, de uma companheira norte-americana. O arsenal de entrevistas é bastante variado, indo de figuras históricas a Rock Stars. O tema é bastante polêmico para a realidade um tanto mais dogmática do espiritualismo brasileiro, mas possibilita inúmeras e interessantes reflexões. Eu tenho meus motivos pessoais para dar crédito ao trabalho delas, mas, sendo ou não aquelas entrevistas fatos alternativos, a POSSIBILIDADE daqueles contatos é real. Aquelas pessoas desencarnaram e sabemos que Espíritos se comunicam com os encarnados. Simples assim.

Mesmo que vocês não acreditem na veracidade daquelas experiências, vale o aprendizado de abrir-se para vivências espirituais de outras culturas, fora da nossa realidade como espiritualistas brasileiros. Deixo aqui, então, a dica e a reflexão.


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Lulu está se dedicando em tempo integral para formar-se cientista e está estudando nas horas vagas para melhor compreender os fenômenos espirituais e mediúnicos. Ela escreve neste blog para tentar compartilhar um ponto de vista mais racional sobre o espiritualismo e suas correntes. Lulu está também no Facebook (Lulu Papo de Médium) e no Twitter (@Lulu_PdM).

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