Música que arrebata o Espírito – TOP5

Já faz um tempo que eu gostaria de fazer um post sobre música. Tenho formação musical básica, mas há algum tempo venho aprendendo a perceber a música como um meio de comunicação de Espírito para Espírito. A música expõe o sentimento mais profundo presente no Espírito do compositor no momento da composição e transporta esse sentimento através do conjunto harmônico da sequência de notas. A linguagem musical é a emoção, fazendo da música uma ferramenta poderosa de harmonização (ou desarmonização) do Espírito. Alguns Espíritos que encarnaram na Terra trouxeram o mais belo sentimento a ser compartilhado com os ouvintes dispostos a compreendê-lo.

O Espirito de Rossini, compositor italiano desencarnado em 1868, fez uma valiosa contribuição ao descrever para Allan Kardec, através de psicografia, a sua percepção do que é a música na Terra.

Para quem não conhece Gioachino Antonio Rossini, segue um trecho de uma das mais conhecidas obras dele, O Barbeiro de Sevilha:

Transcrevi abaixo um trecho representativo da psicografia de Rossini a Kardec, mas sugiro que leiam a mensagem completa no livro Obras Póstumas. Os grifos são meus.

“(…) O Espírito que tem o sentimento da harmonia é como o Espírito que tem a riqueza intelectual: um e outro gozam constantemente da propriedade inalienável que adquiriram. O Espírito inteligente que ensina a sua ciência aos que ignoram experimenta a ventura de ensinar, porque sabe que torna felizes aqueles a quem instrui; o Espírito que faz ressoar no éter os acordes da harmonia que traz em si experimenta a felicidade de ver satisfeitos os que o escutam.
   A harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do Espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em toda a plenitude, elas se confundem e formam a pureza. Oh, Espíritos puros que as possuem, desçam às nossas trevas e iluminem a nossa caminhada! Mostrem-nos a estrada que tomaram, a fim de que sigamos as mesmas pegadas!
(…)
   O compositor que concebe a harmonia a traduz na grosseira linguagem chamada música; ele concreta a sua ideia e a escreve. O artista aprende a forma e escolhe o instrumento que lhe permita expressar tal ideia. Acionado pelo instrumento, o ar a transporta ao ouvido do ouvinte e o ouvido a transmite à alma. Mas, o compositor foi impotente para expressar inteiramente a harmonia que concebera, por falta de uma língua apropriada. O executante, por sua vez, não compreendeu toda a ideia escrita e o instrumento indócil de que ele se serve não lhe permite traduzir tudo o que tenha compreendido.O ouvido é afetado pelo ar grosseiro que o cerca e a alma, enfim, por um órgão rebelde, recebe a horrível tradução da ideia desabrochada na alma do maestro. Essa ideia era o seu sentimento íntimo. Embora desvirtuada pelos agentes da instrumentação e da percepção, ela sempre causa sensações nos que a ouvem traduzida; essas sensações são a harmonia.
   A música as produziu; elas são efeito da música. Esta é posta a serviço do sentimento para ocasionar a sensação. Na composição musical, o sentimento é a harmonia; no ouvinte, a sensação é também a harmonia, com a diferença de que é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia; ela a recebe e a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos Espíritos.
   Transmite-a mais ou menos deformada, conforme seja bem ou mal executada, do mesmo modo que o refletor envia mais ou menos bem a luz, conforme seja mais ou menos brilhante e polido, do mesmo modo que o médium reproduz mais ou menos bem os pensamentos dos Espíritos, conforme seja mais ou menos maleável. (…)”

(Rossini, Espírito. Psicografia publicada no livro Obras Póstumas[1])

TOP5 – música que arrebata

Após essa bela descrição conceitual do que é música, eu gostaria de compartilhar aqui meu TOP5 de belas músicas brasileiras (exceto o bônus final) que traduzem lindamente a harmonia e nos arrebatam:

5 – O que é o que é (Gonzaguinha)

Composição de Gonzaguinha, O que é o que é resume o estado de espírito ideal do viver, mesmo com toda a dificuldade do processo. Ela ainda traz uma grande verdade quando diz que “somos nós que fazemos a vida”.

4 – Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho)

Inspirada no Bhagavad Gita, Gita é a música que, na minha opinião, melhor descreve Deus. Dentro da nossa extrema limitação, como criatura, em compreender toda a representação do Criador, Gita dá uma linda contribuição para meditarmos nessa extremamente díficil tarefa de entender Deus. Dizer que essa música fala sobre o “Diabo” é expor um triste atestado de imaturidade espiritual.

3 – Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil)

Bela música que descreve o processo de uma incansável e dificílima busca interior que exige a disciplina de dar valor àquilo que somos dentro dessa casca perecível de coisas e posses. Esse processo é doloroso e exige sacrifícios que podem se traduzir em sofrimento. Escolher seguir nessa estrada pode ser difícil aqui onde estamos, mas, no final, há uma recompensa surpreendente.

2 – Fênix (Flávio Venturini e Jorge Vercilo)

Música repleta de camadas de informação. É um ode à transmutação à qual nos sujeitamos ao planejar variadas experiências na carne. Após inúmeras experiências que refletem aquilo que é mais necessário para depurar tudo o que nos distancia de nós mesmos, surge a Fênix, expondo todo o seu potencial e pronta para voar para onde sua Vontade determinar.

1 – Tocando em frente (Almir Sater e Renato Teixeira)

Linda música que valoriza a beleza presente na simplicidade. Letra simples, porém de enorme profundidade e significado, nos convida a prestar atenção no que há de essencial em nós e à nossa volta para encontrarmos a felicidade que já existe em nós, mas que está perdida na complexidade da vida.

BÔNUS: Sinfonia nº41 Wolfgang Amadeus Mozart (k.551)

Na minha opinião, aquele que melhor traduziu a harmonia sublime do Universo em notas musicais perceptíveis aos nossos sentidos, W. A. Mozart tinha um canal direto com a música resultante das combinações harmônicas do funcionamento do cosmos. Traduziu o padrão da harmonia produzida pelo Criador em música e preencheu partituras com o mais elevado conteúdo possível de ser compreendido pelos Espíritos encarnados hoje neste planeta. Em seu ápice, compôs a Sinfonia nº 41. Cheia de complexidade, elabora a perfeição da criação, cujos processos são expostos, mostrando que não é exclusividade do Criador, mas inerente a toda criatura.


[1] Kardec, Allan. Obras Póstumas. Capítulo: Música Espírita. 1890.


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Lulu está se dedicando em tempo integral para formar-se cientista e está estudando nas horas vagas para melhor compreender os fenômenos espirituais e mediúnicos. Ela escreve neste blog para tentar compartilhar um ponto de vista mais racional sobre o espiritualismo e suas correntes. Lulu está também no Facebook (Lulu Papo de Médium) e no Twitter (@Lulu_PdM).

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