Religiões picaretas: 7 características para identificá-las

Nos últimos textos postados nós falamos sobre livre-arbítrio e a relação dele com o conhecimento e a sabedoria. E no texto O Abismo nós falamos sobre a dificuldade de acesso a conhecimento confiável. Vale a pena dar uma conferida lá antes de iniciar a leitura desta lista sobre religiões picaretas!

No último texto, foi dito que a religiosidade representa uma porta de acesso ao mapa que indica o caminho que nos leva ao nosso objetivo. A maneira como cada um acessa a sua própria religiosidade é muito particular, mas o modo mais frequente de fazer isso é seguindo uma religião ou seita ou doutrina ou filosofia de vida criada/revelada/organizada por outra(s) pessoa(s).

Os ensinamentos compartilhados por religiões/seitas/doutrinas/filosofias (vou generalizar aqui no texto como religiões) bem-intencionadas nos auxiliam na conquista da liberdade espiritual, permitindo a cada um de nós tomar as rédeas da própria evolução. Já aqueles ensinamentos que adquirimos ao vivenciar a religiosidade nos mostra a direção a tomar para atingir mais rapidamente nossos objetivos evolutivos.

No entanto, nem todas as religiões são bem-intencionadas. Pela importância social e onipresença, as religiões são um prato cheio para aqueles que usam seu alcance para aprisionar os seguidores e, ao invés de conhecimento, compartilhar ilusões. Ilusão é tudo o que causa distorção das percepções e engana a mente ou os sentidos. Quem compartilha ilusão, prende o outro com amarras e não há nada mais aprisionador do que a falsa sensação liberdade.

Algumas religiões ou dissidências destas são concebidas já com o objetivo de aprisionamento de seus seguidores, cuja finalidade é conferir poder ao líder “espiritual”. Afinal, o controle sobre as massas permite mover as decisões coletivas para a direção desejada, dando poder a quem tem essa possibilidade nas mãos.

Várias religiões são criadas com finalidade mais paternalista. O objetivo não é, em primeira instância, apenas o controle coletivo, mas a proteção dos seus seguidores contra os perigos do mundo, impedindo que estes cometam erros. Impedir alguém de errar é diferente de indicar o caminho certo, pois impedir de errar implica em cercear a liberdade de ação de alguém. Além disso, errar é uma forma de aprendizado; cometo um erro hoje, aprendo com as consequências dele e amanhã tento diferente. Repito esse processo até aprender como se faz.

Outras religiões são criadas, em um primeiro momento, com intenção de evolução coletiva. O líder espiritual inicia sua jornada bem-intencionado e verdadeiramente interessado em compartilhar seu ponto-de-vista do mundo com os outros, mas, com o tempo, perde-se em seu papel, deixando o vislumbre de poder cegá-lo, passando a usar sua liderança para direcionar seus seguidores para caminhos tortuosos.

Identificar religiões ou filosofias dentro dessas três categorias acima não é difícil. Basta usar a associação entre liberdade e conhecimento. Mas com uma lista mais específica você consegue encaixar um ou mais itens para saber se a religião pretende te libertar ou aprisionar.

Vamos à lista:

1- O líder religioso aparece como figura incontestável

Você foi convidado para conhecer a religião que seu amigo João frequenta, mas chegando lá você se deparou com atitudes que não concorda ou não compreende. Ao contestá-las ao João, este mostrou-se surpreso, sentiu-se incomodado e disse que é assim que as coisas são; você percebeu que não é comum que os seguidores raciocinem sobre o que está sendo ensinado.

Geralmente, nas religiões que preenchem esse critério, os líderes são figuras carismáticas, comunicativas, discretamente controladoras e colocam-se como intermediários especiais entre a Terra e alguma divindade. Sejam eles criadores da religião ou seus propagadores regionais, podem preencher também o item 2.

Nesses casos, quando uma pessoa discorda de algum ensinamento ou da postura do líder, é automaticamente afastada do convívio da comunidade religiosa em questão e ameaçada com a possibilidade de algum tipo de punição divina ou algo do tipo.

2- A doutrina é mostrada como única verdade

Créditos na imagem

Quem acompanha o Blog sabe que nós trabalhamos com a hipótese de que existe uma Verdade – ou seja, uma realidade que funciona independentemente da nossa percepção dela – e que cada religião/filosofia/disciplina séria enxerga apenas uma parte do Todo, sob determinado ponto de vista.

Se uma religião diz ser a detentora da única e imutável verdade universal, ela está ignorando possibilidades e pontos de vista diversos que poderiam enriquecer a busca pelo conhecimento sobre a nossa existência. Se acreditamos que em todas as áreas do conhecimento é o debate sobre ideias geradas sob perspectivas diferentes que impulsiona a construção do saber, por que deveríamos nos contentar com algo que se apresenta como única verdade imutável universal?

3- Os seguidores são impedidos de buscar conhecimento em outras fontes

Essa característica está diretamente ligada aos itens 1 e 2. Para manter o líder incontestável e garantir que os seguidores aceitem a “única verdade universal do mundo todo”, os seguidores são proibidos até de consultar fontes com outros pontos de vista. Isso impede que eles tenham contato com conhecimentos diversos e contestem a “única verdade” e o “líder enviado dos deuses”.

Em alguns casos, esse impedimento é disfarçado de demonização de outras religiões e difamação de fontes de informação que contrariem aquilo que é pregado. Na prática, a capacidade de raciocínio e decisão dos seguidores são completamente tolhidas por impedimento de acesso a informações. Desse modo, fica fácil para a liderança da religião determinar o caminho mais conveniente para direcionar seus seguidores, sem que estes ofereçam resistência.

4- Há um direcionamento político explícito

Mesmo em sociedades não teocráticas, como a nossa, algumas religiões envolvem-se diretamente em política e determinam aos seus seguidores até em quem eles devem votar nas eleições. Quando isso acontece, os líderes da religião já fizeram a lição de casa de aplicação dos itens anteriores e moldaram a vontade de seus seguidores.

Quando os seguidores de determinada religião já não oferecem mais resistência às ideias empurradas goela abaixo pelos líderes “religiosos”, seus muros já estão baixos o suficiente para deixarem passar sugestões diversas. Esses líderes aproveitam-se disso para usar a força gerada por uma pequena ou grande multidão e direcionarem-na para onde bem desejarem. É nesse ponto que eles se envolvem com o jogo político, colocando em prática – da forma mais suja – o poder gerado pela força coletiva que eles direcionam. E, aqui, eu não falo de representatividade, mas de uso de uma figura de autoridade que faz uso de recursos antiéticos para determinar o que as pessoas devem ou não pensar; e em política, a capacidade de um indivíduo de influenciar muitas pessoas é muito bem recompensada.

5- A figura de liderança enriqueceu sem explicações plausíveis

Não. Não foi Thor, Zeus, Xangô, Quetzalcóatl, Deus, Júpiter, Allah, Jeová ou qualquer outra divindade que depositou quantias milionárias na conta corrente de determinado líder “religioso” depois que ele se envolveu com a religião. Esse enriquecimento não foi consequência de bonificação dada por uma divindade pelo serviço bem executado em arrebanhar seguidores.

Se é estabelecida alguma quantia em dinheiro para ajuda de custo de manutenção e das atividades religiosas ou de caridade, o dinheiro deveria ser utilizado em manutenção e atividades religiosas ou de caridade. Se os seguidores da religião começaram a doar quantias em dinheiro e, em paralelo, o líder enriquece sem motivos plausíveis, a chance de que o dinheiro doado possa estar sendo desviado para sua conta corrente pessoal é considerável. E, a não ser que o líder “religioso” tenha pedido dinheiro e explicado que este seria direcionado para a compra de carro importado para uso pessoal, compra de mansão nova e instalação da jacuzzi, esse enriquecimento não é ético e, na maioria das vezes, é ilícito. Não nos esqueçamos que posse de dinheiro também pode caracterizar poder.

6- Os seguidores sentem medo de uma punição divina quando não seguem algum ponto específico da doutrina

Essa talvez seja a característica mais comum entre as religiões picaretas e/ou mais paternalistas. Já foi citada no item 1, mas será melhor comentada aqui. De maneira geral, a punição está associada a uma figura de divindade antropomórfica, com emoções humanizadas, que é responsável por punir aqueles seguidores que não cumprem com as obrigações estabelecidas pela religião. Essas punições podem ser desde o envio do indivíduo transgressor a um lugar não muito agradável após a morte ou o próprio líder “religioso” – representante da divindade – assumir o papel de juiz e até executor da pena.

Incutir medo nas pessoas as torna mais suscetíveis a aceitar influências. O medo ajuda a moldar as nossas prisões internas, forjando um caminho único que nem sempre seria aquele que percorreríamos sem a presença dos medos. É nesse sentido que o medo dos seguidores de determinada região faz do seu líder alguém mais poderoso.

7- A religião fala mais sobre inimigos do que sobre amigos

Essa é uma extensão do item anterior. Lembrar os seguidores de que existem inimigos – de carne e osso ou não; indivíduos ou instituições – que ficam o tempo todo torcendo pelo seu fracasso, é também uma maneira de incutir medo nas pessoas. Se ao invés de apontar o caminho certo a seguir, o líder “religioso” de uma religião picareta fica o tempo todo lembrando do caminho errado, das quedas e das impossibilidades, é isso que ele ensina aos seguidores. Estes passam a buscar a divindade simplesmente pelo medo de sucumbirem aos inimigos. Ao invés de olharem para frente, olham para trás.

Ao líder “religioso” que se interessa em ditar os caminhos que seus seguidores devem seguir, lembrar o tempo todo da presença de um inimigo que torce continuamente para a derrota das pessoas, altera a perspectiva de vislumbre de um caminho de crescimento e liberdade para um ponto de vista preenchido de preocupações. Isso não passa de uma distração para os seguidores, enquanto estes estão sendo direcionados para um sentido que pode não ser aquele para o qual iriam sem essa preocupação.

 

Listamos aqui 7 características de religiões picaretas, mas essa lista poderia ser ainda maior. O cerne dos itens inclui estratégias que tornem os seguidores suscetíveis a sugestões não tão nobres dos líderes “religiosos” com objetivo de agregar força motriz para inflar o poder pessoal deles. Se você lembrar de outras características, compartilhe com a gente!


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Lulu está se dedicando em tempo integral para formar-se cientista e está estudando nas horas vagas para melhor compreender os fenômenos espirituais e mediúnicos. Ela escreve neste blog para tentar compartilhar um ponto de vista mais racional sobre o espiritualismo e suas correntes. Lulu está também no Facebook (Lulu Papo de Médium) e no Twitter (@Lulu_PdM).

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