Espiritualistas, uni-vos!

Aqui no plano material, temos acesso inúmeros livros, relatos, textos e depoimentos provenientes de pessoas que tiveram contato com o plano espiritual e com trabalhos espirituais específicos. Algumas dessas experiências tornaram-se religiões, seitas, correntes filosóficas de pensamento; outras tornaram-se sistemas organizados de evocação ou invocação de entidades espirituais pouco difundidos, de maneira confiável, para o público em geral.

Uma análise superficial do conteúdo espiritualista a nossa volta talvez faça com que tenhamos a tendência a dividir cada religião, seita, corrente filosófica de pensamento e sistema de evocação em assuntos completamente distintos, sem qualquer relação um com o outro. Ou, quando vemos alguma semelhança, tendemos a classificar cada divisão, de acordo com a nossa visão de mundo, como melhor ou pior. Como eu já disse aqui, o plano espiritual não é separado de acordo com as divisões que usamos na matéria. Não existe um plano espiritual para espíritas, outro para umbandistas, outro para teosofistas, outro para thelemitas, outro para seguidores da chama violeta, outro para [ponha aqui a denominação espiritualista de sua preferência].

anjo e demonio
Ou é “anjo” ou “demônio”

Cada percepção que temos de manifestação do plano espiritual na matéria é o resultado da época, contexto social, conhecimento, foco espiritual e comprometimento de cada médium/pesquisador responsável por descrever as experiências espirituais as quais teve acesso. Imaginemos, por exemplo, um contexto social em que os conhecimentos acerca da existência de um  plano espiritual como concebemos hoje não exista e que a influência de alguma religião judaico-cristã seja muito grande. Qualquer contato que um determinado médium tenha com o plano espiritual será classificado de acordo com o conhecimento preexistente no intelecto dele. Dependendo da natureza da comunicação, uma entidade espiritual responsável por alguma comunicação seria classificada como “anjo” ou “demônio”, que são as classificações mais próximas de seres fantásticos presentes nesse meio social. Em outras palavras, qualquer informação passada por um entidade espiritual que seja completamente desconhecida pelo médium em questão será automaticamente interpretada e convertida pelo intelecto do médium a algo já presente no cabedal de conhecimentos dele. Se, com o passar do tempo, diferentes pontos de vista e novos conhecimentos forem somados àquela mesma sociedade, a classificação dos fenômenos espirituais tendem a tornar-se mais apurados. A formação dos conhecimentos sobre espiritualidade é gradual. A nossa percepção mediúnica se modifica e evolui conforme o nosso intelecto aprimora-se. Com o passar do tempo, a humanidade amadurece e conseguimos acessar novos conhecimentos, compatíveis com a nossa capacidade intelectual.

fantasma
Buuuu

Esse trabalho de educação da humanidade sobre a existência de um plano espiritual e de esclarecimento das pessoas encarnadas a respeito da naturalidade da coexistência entre o material e o espiritual acontece aos poucos. Com o passar do tempo, a humanidade foi e está sendo exposta, com mais ou menos intensidade, a diversas manifestações espirituais denominadas milagres, conversas com anjos/demônios, assombrações, mediunidade, fantasmas, canalizações, abduções, experiências místicas, poltergeists. Cada linha de pensamento espiritualista séria surgiu no momento em que deveria ter surgido, com o objetivo de atingir as pessoas com características específicas ou um público-alvo específico. Há quem se incomode, por exemplo, com características mais religiosas de determinadas correntes. Entretanto, essas linhas espiritualistas mais religiosas são muito mais abrangentes e atingem um grande número de pessoas. Talvez percam na acuidade das informações compartilhadas, mas ganham em abrangência. Eu, pessoalmente, vejo com bons olhos um religioso dogmático que, mesmo não tendo muito conhecimento sobre o plano espiritual, acredita em espíritos, reencarnação e compartilha frases de Chico Xavier no Facebook. O primeiro passo já foi dado no sentido da educação espiritual. Em contrapartida, as linhas espiritualistas mais filosóficas ou esotéricas são muito mais restritas e atingem um menor número de pessoas, mas as informações por elas compartilhadas são mais detalhadas. Quanto mais os conceitos de determinada corrente espiritualista (ou esotérica) se afastam do senso comum, menos adeptos essa corrente tende a ter. O que nos faz perceber que a educação espiritualista, em um sentido mais amplo, é gradual.

Chico_Emmanuel
Chico Xavier e seu guia espiritual, Emmanuel

Trazendo o assunto para um exemplo prático, muitos espiritualistas incomodam-se com a abordagem religiosa que Allan Kardec deu ao Espiritismo e alguns espíritas incomodam-se ainda mais com a vivência religiosa de Chico Xavier. Eu acredito que essas abordagens são extremamente pedagógicas. Graças ao tom religioso adotado por eles, a difusão do espiritismo foi grande e hoje, pelo menos no Brasil, não há quem não saiba o que é mediunidade ou reencarnação. Esse cunho religioso foi extremamente necessário para angariar credibilidade no discurso, que, antes de Kardec, era usado com naturalidade dentro de ordens esotéricas fechadas, mas que fora delas era condenado ao descrédito e acusações de bruxaria. Allan Kardec não descobriu os espíritos ou a mediunidade. Ele somente interessou-se pelo tema, estudou-o e trouxe a informação para a superfície, levando o conhecimento espiritual a pessoas que talvez nunca teriam a oportunidade de contato com o tema. Chico Xavier colocou a religiosidade em prática, dando exemplo não só aos religiosos espíritas, mas também aos religiosos de qualquer denominação, como seria a prática dos ensinamentos dos grandes mestres. Eu enxergo os dois trabalhos tão próximos e complementares, que posso considerar que a equipe espiritual que assistiu a encarnação de Allan Kardec foi a mesma que assistiu Chico Xavier. Da mesma maneira, essa equipe também pode ter assistido trabalhos espirituais ou não realizados em outras épocas, por outras pessoas, zelando sempre pela continuidade da educação espiritual e evolução da humanidade. Provavelmente, a equipe não seja formada por espíritos “espíritas”, uma vez que o espiritismo é apenas uma das ferramentas pedagógicas, assim como a Umbanda, a Teosofia, a Conscienciologia, o Hinduísmo, o esoterismo, e tantas outras correntes com tendências espiritualistas que acreditam em espíritos, almas, kiumbas, djins, eguns, etc.

Se você é um desses espiritualistas que gostam de bater no peito e dizer “a corrente que eu sigo é verdadeira e todas as outras estão erradas”, eu faço uma proposta: tente enxergar as filosofias espiritualistas, religiosas ou não, como várias faces de um todo impossível, por enquanto, de ser visualizado por completo. Cada pedacinho descrito foi enxergado por pessoas diferentes, em épocas distintas, e traduzido de acordo com as ferramentas disponíveis naquele momento. Obviamente, diferenças existirão, mas o que nos leva ao progresso são as semelhanças e o esforço voltado sempre para a mesma direção.

Lulu está se dedicando em tempo integral para formar-se cientista e está estudando nas horas vagas para melhor compreender os fenômenos espirituais e mediúnicos. Ela escreve neste blog para tentar compartilhar um ponto de vista mais racional sobre o espiritualismo e suas correntes. Lulu está também no Facebook (Lulu Papo de Médium) e no Twitter (@Lulu_PdM).

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