Sobre público-alvo espiritual

Olá, querido(a)s leitore(a)s!

Imaginemos uma empresa hipotética, que chamaremos aqui de Mell Balle, cujo objetivo é vender sucos em uma cidade, também hipotética, chamada Riacho Celeste. A Mell Balle pretende lançar duas linhas distintas de sucos, mas, para isso, ela precisa conhecer melhor o mercado de Riacho Celeste para definir seu público-alvo.

Para uma melhor análise do mercado local, a Mell Balle contratou os serviços da MKT S/A, a melhor empresa especializada em pesquisa de mercado de Riacho Celeste. Após a pesquisa, que durou alguns meses, a MKT constatou que os potenciais consumidores interessados no consumo de sucos industrializados é dividido entre pessoas com memória visual, pessoas com memória gustativa e pessoas com memória auditiva. O primeiro grupo, os visuais, se interessa por produtos de cores fortes e embalagens coloridas, não se importando tanto com o sabor. Os gustativos, o segundo grupo de consumidores de suco em potencial, têm preferência por sucos saborosos, não sendo influenciados pela qualidade gráfica da embalagem ou pela coloração (aparência) do produto. Já o grupo formado pelo auditivos, não apresenta interesse em cores ou sabor; esse grupo consome, preferencialmente, produtos em cuja propaganda há um forte apelo auditivo, como jingles bem musicados e letras fáceis. A pesquisa também apontou que a maioria das pessoas que compõem os três grupos de consumidores tem maior tendência a consumir sucos de abacaxi e maracujá.

Com os resultados da pesquisa em mãos e o público-alvo definido, o departamento de Desenvolvimento de Produtos da Mell Balle, visando atingir o maior número de consumidores de suco possível de Riacho Celeste, desenvolveu duas linhas de suco, cada uma com os sabores abacaxi e maracujá.

Uma das linhas, a que o Departamento de Marketing denominou posteriormente de suco Echúzz, contém mais corantes, havendo distinção de sabores das frutas primordialmente pela diferenças de coloração entre os dois sabores. Na composição dos sucos Echúzz, são utilizados teores maiores de água e açúcar, além dos corantes já citados. Os sucos Echúzz de abacaxi e maracujá são bem distintos quanto à sua coloração, sendo amarelo forte e alaranjado bem pronunciado, respectivamente. Entretanto, ambos apresentam sabores bem doces e muito similares. A outra linha de sucos desenvolvida, a Nosso Pomar, não leva corantes artificiais em sua composição, no entanto, apresenta teores mais elevados de flavorizantes (sabores artificiais das frutas) e uma maior proporção de sucos naturais das frutas, quando comparada aos sucos Echúzz.

Após o desenvolvimento e nomeação dos produtos, o Departamento de Marketing iniciou a criação das campanhas publicitárias dos sucos. Apesar de ambas as linhas de sucos (suco Echúzz e suco Nosso Pomar) serem desenvolvidas com as mesmas finalidades: serem consumidas como lanche, acompanhamentos em refeições ou para matar a sede, cada uma delas necessitou de peças publicitárias distintas, voltada para seu público-alvo pré determinado, situação que levou ao aumento do alcance da imagem dos produtos da empresa entre os consumidores de Riacho Celeste. Os sucos Echúzz, aqueles sucos mais doces e coloridos, eram anunciados em peça publicitária televisiva, rádio e inserções no Youtube. Sua campanha consistia em pessoas de várias idades, que vestiam roupas coloridas e cantavam um jingle:”Portão de ferro, cadeado de madeira/Portão de ferro, cadeado de madeira/Deu sede? Beba Suco Echúzz/E alegre sua brincadeira!”. Já os sucos Nosso Pomar, com sabores de frutas mais pronunciados, foram anunciados em jornais, revistas e redes sociais como uma foto de pessoas ao redor da mesa de café da manhã, bebendo os sucos e fazendo cara de satisfação. Desse modo, ambos os sucos conseguiriam atingir os três tipos de potenciais consumidores de suco de Riacho Celeste; os visuais e auditivos seriam os públicos-alvo dos sucos Echúzz, enquanto que os gustativos, o público-alvo do suco Nosso Pomar.

Após a veiculação das campanhas publicitárias, a Mell Balle contabilizou sucesso de vendas de ambos os sucos. Uma pesquisa de satisfação mostrou que os três tipos de consumidores, ou público-alvo, estavam satisfeitos, havendo preferência dos consumidores visuais e auditivos pelo suco Echúzz e dos consumidores gustativos pelo suco Nosso Pomar. O público-alvo de um suco também podia consumir, ocasionalmente, o outro suco sem prejuízo na escala de satisfação. Entretanto, em alguns casos, os consumidores do suco Nosso Pomar disseram que não gostaram do suco Echúzz porque este era muito doce e que faltava sabor das frutas abacaxi e maracujá; um dos consumidores disse que “para ser um suco de verdade o produto deveria ter menos açúcar e mais sabor de frutas”; outro consumidor disse que “a musiquinha do jingle não é necessária para matar a sede”. Outros consumidores, que relataram preferência pelo suco Echúzz, não gostaram do suco Nosso Pomar, alegando que não conseguia distinguir os dois sabores de suco, porque as cores eram muito parecidas e que, segundo um dos consumidores entrevistados “falta açúcar para ser um suco gostoso de verdade”; além disso, uma parte dos consumidores do Echúzz sentiu falta de uma propaganda mais animada, e que “sentia sono ao ver aquela foto das pessoas sentadas à mesa tomando suco”. Quando questionadas sobre a satisfação com os sucos de suas preferências, os consumidores entrevistados disseram estar muito satisfeitos com os produtos, que eram consumidos como lanche, acompanhamento de refeições ou para matar a sede.

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Ao ler esse pequeno texto, o leitor mais atento deve ter percebido o que há nas entrelinhas. Sim, eu estou falando sobre Umbanda e Espiritismo… Por favor, não se atentem para a analogia, digamos, comercial, do texto. Foi somente uma metáfora que encontrei para exemplificar meu ponto de vista sobre o tema. Optei por falar somente sobre Umbanda e Espiritismo, pois são as dmesauas maiores (em número de adeptos) religiões espiritualistas dos país, como mostrado aqui neste post, e duas religiões espiritualistas com as quais me familiarizo mais. Ambas as religiões têm a mesma finalidade, que é a caridade. Ambas mostram aos seus adeptos o caminho da espiritualização e da espiritualidade. Ambas, quando praticadas dentro dos preceitos do amor e da caridade, ampliam pontos de vista ao mostrarem para quem deseja ver que matéria e espírito caminham lado a lado, em cooperação. Ambas só se dividem aqui, no nosso plano material, porque no plano espiritual são uma só. E essa divisão é feita, porque a caridade é universal. Independentemente de sua forma de manifestação, se é com instrumentos de trabalho ou se é com retórica, a ajuda chega a quem precisa ser ajudado. E quem precisa ser ajudado procura a casa, centro, templo, tenda, terreiro, etc., com a/o qual ele mais se identifica. Assim como, em nosso texto, a Mell Balle se preocuumbandapou em fazer sucos que atinjam a maior parte da população de Riacho Celeste usando as linguagens com as quais os três tipos de consumidores mais iriam se identificar, os benfeitores espirituais também atuam utilizando as linguagens que nós conseguimos compreender. Se você não se sente a vontade com uma entidade “vestida” de preto-velho fumando cachimbo, mas sente-se bem tomando um passe espírita, ótimo! Ou se você acha que as sessões espíritas são entediantes e não gosta de tomar chá com bolachas com entidades, mas prefere uma gira ao som de atabaques, ótimo também! Enxergue-se como um público-alvo da espiritualidade. Os benfeitores espirituais têm diversos produtos, escolha o seu!

 

Até breve, amigos!

 

Lulu está se dedicando em tempo integral para formar-se cientista e está estudando nas horas vagas para melhor compreender os fenômenos espirituais e mediúnicos. Ela escreve neste blog para tentar compartilhar um ponto de vista mais racional sobre o espiritualismo e suas correntes. Lulu está também no Facebook (Lulu Papo de Médium) e no Twitter (@Lulu_PdM).

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